12.2.06
Série Ouro #11, 13 a 16 e 18 a 19

ref.064 a 070/06

Da última metade da colecção Os Clássicos da Banda Desenhada - Série Ouro, vendida em conjunto com o jornal Correio da Manhã, interessei-me por 7 volumes.

O #11 contém um clássico dos comics, os primeiros 5 números da primeira revista incialmente bimestral e posteriormente mensal do Surfista Prateado, a qual teve direito a 18 números, entre 1968 e 1970.

Tendo surgido pela primeira vez em Fantastic Four #66, The Coming of Galactus! de Stan Lee e Jack Kirby, em 1966, o Surfista Parateado viria a ter a sua própria revista 2 anos mais tarde , com argumento de Stan Lee e arte de John Buscema (Kirby apenas desenharia o derradeiro número desta primeira série).

Até ao #7, a revista era bimestral, apresentando o dobro das páginas das mensais, tendo originado histórias de 40 páginas, por vezes divididas em duas partes na mesma revista.

A primeira história conta-nos a origem do Surfista Prateado, ou seja, de como Norrin Radd, o habitante do planeta Zenn-La, sacrificou a sua vida mortal e o amor da sua Shalla Bal (com quem Mefisto o tenta no #3) ao transformar-se no aurato de Galactus, de modo a este poupar o mundo de Radd do seu apetite devorador.

As restantes histórias tratam de temáticas que se tornaram um pouco a marca registada deste herói da Marvel. Exilado na Terra, após se ter rebelado contra Galactus para salvar o nosso planeta, o Surfista Prateado continua a utilizar os seus poderes cósmicos para lutar na defesa de um planeta que lhe é hostil e não o compreende.

Buscema concebe vinhetas de dimensões generosas que permitem apreciar o seu trabalho. Quanto ao argumento, será interessante para os que desejam conhecer a origem do herói e como eram os comics da Marvel nos anos 60.

Apesar do #13 se intitular Super-Homem, na verdade oculta a presença do cavaleiro das trevas, com o direito de também ter a presença assegurada no título, ou não fossem as histórias retiradas do especial Superman / Batman Secret Files 2003 e da revista mensal Superman / Batman.

A referida revista especial continha 3 histórias (não foi publicada neste volume Young Luthor in Smallville de Mark Waid e Renato Guedes), das quais foram publicadas neste volume duas: Recrutas (com argumento de Geoff Johns e Jeremy Johns e arte dos brasileiros Ivan Reis e Marcelo Campos) e Quando o Clark Conheceu o Bruce (de Jeph Loeb e Tim Sale). Recrutas funciona como uma introdução à saga.

A saga com os 6 primeiros números da revista mensal Superman/Batman ficou conhecida por Inimigos Públicos, da autoria de Loeb e Ed McGuinness. Nela, os dois heróis (e respectivas famílias) unem esforços para derrotar Lex Luthor, o presidente norte-americano.

Por fim, O Protegido funciona como um epílogo da saga anterior, desta feita desenhado por Pat Lee, onde heróis e vilões coordenam grandes robots, com os quais lutam entre si em Tóquio...

Argumentos completamente estafados que recilam más ideias. Dispensável.

Garfield de Jim Davis é o #14 da colecção. Esta personagem foi criada em 1978 e o filme homónimo realizado em 2004 por Peter Hewitt (com Bill Murray a dar voz a Garfield) prova que continua popular.

Neste volume está reproduzida uma selecção de tiras dominicais originalmente publicadas entre 1991 e 1997. Deste modo, os fãs do guloso gato podem apreciar as suas aventures a cores, algo que no nosso país não é muito fácil quando se tratam de livros de tiras cómicas. Não desapontará os leitores que gostam deste tipo de BD.

O volume dedicado ao piloto Michel Vaillant, o 15º da colecção, contém 4 álbuns daquele, os nº 15, 47, 50 e 65, variando as datas da publicação original entre 1969 e 2003 e estando o argumento da última aventura já a cargo do filho de Jean Graton, Philippe Graton (algo que tem acontecido desde o #57 da série, com excepção do 60º).

A selecção de histórias é algo bizarra. Se, por um lado, a primeira história, O Circo Infernal, é uma continuação de uma aventura não incluída, Mach 1 para Steve Warson (embora não seja indispensável a sua leitura), a última, A Prova, fica a meio, tendo continuação noutra história não incluída e inédita em Portugal (onde, neste momento nem existe nenhuma editora a publicar esta personagem), 100.000.000$ pour Steve Warson.

O argumento é bastante enfadonho em todas elas, sendo eventualmente mais apelativa em Pânico no Mónaco, uma história com uma componente policial, embora o leitor chegue bastante mais depressa à resolução de toda a situação do que as personagens.

Confesso que não sou fã do desporto motorizado, mas recordo-me de ler na minha infância com algum agrado O Fantasma das 24 Horas e No Inferno do Safari. Trata-se de uma memória atraiçoada pelo tempo ou havia realmente melhores histórias que poderiam ter sido seleccionadas?

André Franquin dispensa apresentações - reformulou Spirou e criou, entre outros, Marsupilami e Gaston Lagaffe. É a Gaston que este #16 é dedicado.

Gaston surgiu nas páginas da revista Spirou, como um funcionário da própria editora, a Dupuis. Esta mistura de empregado de escritório com moço de recados é colega de Fantásio, a quem extermina qualquer tipo de paciência, dada a continuidade de gafes que ocorrem no seu dia-a-dia, quer devido à sua imaginiação prodigiosa quer à sua incansável preguiça. O sucesso entre os leitores, originou a sua própria série em 1961.

As primeiras histórias reunidas neste volume contam a colaboração do assistente de Franquin, Jidéhem, e são extremamente divertidas. Ao abandonar as aventuras de Spirou em 1968, dando lugar a Fournier, Franquin pode-se dedicar a solo a Gaston, eliminando Fantásio da série - de modo a personagem estar liberta para as aventuras de Spirou -, renovando-lhe o grafismo e aumentando o número de personagens secundárias dentro do escritorio, entre os quais alguns animais de estimação de Gaston (pp. 163-206).

O exemplo clássico da escola de Marcinelle.

A Arte de José Carlos Fernandes, o 18º número, é uma rara oportunidade. Mais de metade das páginas contêm material que não se encontrava disponível a quem o desejasse adquirir.

Refiro-me concretamente às 15 BD a preto e branco e às 6 a cores. É um luxo podermos acompanhar a sua evolução gráfica (não deixando dúvidas - se as houvesse - quanto à sua versatilidade) e constatar que, desde o início, este autor português já tinha bons argumentos ansiando por se transformarem em pranchas.

Como curiosidade, refira-se que, entre as histórias a cores, encontra-se Todo o Sal do Mar, BD em que se baseou o brasileiro J. Audaci Junior para realizar a curta-metragem O Gosto de Ferrugem.

Quanto ao restante livro, os excertos de Pessoas que Usam Bonés-Com Hélice e da série A Pior Banda do Mundo, porque não ler antes a obra completa?

Quanto às 3 Black Box Stories, do qual também se espera a reunião em livro, são momentos para se apreciar a arte de Miguel Rocha e Roberto Gomes. Achei os argumentos fracos.

E, como extra, as 3 últimas páginas ilustradas trazem mais arte do autor.

Um dos melhores livros da colecção, devido à primeira metade.

O #19, intitulado A Arte de Jiro Taniguchi, contém a série O Homem que Caminha, originalmente publicada na revista nipónica Morning entre 1990 e 1991.

Com pouquíssimos diálogos e com um argumento aparentemente simples mas que obriga a utilizar toda a imaginação (como manter os leitores interessados em pequenos episódios referentes a igual número de passeios de um adulto pela capital do Japão, na redescoberta da paisagem desta, especialmente interessado na sua vertente bucólica?), o grande trunfo de Taniguchi são os belos desenhos com que a ilustra, conferindo todo um nível poético à narrativa.

A provar que o manga tem outras escolas que não necessariamente as que têm maior visibilidade.

Traduzido pela brasileira Adriana Sada e adaptado para o nosso português por José Carlos Francisco, só reparei num único deslize na nossa norma.

Os Clássicos da Banda Desenhada - Série Ouro
Panini, 2005 (Portugal):

#11
Surfista Prateado - A Origem do Surfista Prateado! (The origin of the Silver Surfer!, 1968), Quando o Disco Voador Aterra! / Que a Terra Seja o Troféu! (When lands the saucer! / Let Earth be prize!, 1968), O Poder e o Prémio! / Duelo nas Profundezas (The power and the prize! / Duel in the depths, 1968), O Bom, o Mau e o Extraordinário! (The Good, the Bad, and the Uncanny!, 1969), ... E Quem Chorará por Ele? (-- And who shall mourn for him?, 1969)  
Stan Lee & John Buscema
208 pp, brochado
ISBN 989-559-136-5

#13
Super-Homem - Recrutas (Recruits, 2003), Quando o Clark Conheceu o Bruce (When Clark met Bruce, 2003) , Inimigos Públicos (Public Enemies, 2003-4), O Protegido (Protégé, 2004)
(vários autores)
208 pp, brochado
ISBN 989-559-140-3

#14
Garfield (selecção de tiras dominicais originalmente publicadas entre 1991 e 1997)
Jim Davis
192 pp, brochado
ISBN 989-559-141-1

#15
Michel Vaillant - O Circo Infernal (Le cirque infenal, 1969), Pânico no Mónaco (Panique à Monaco, 1986), O Desafio das Muralhas (Le défi des remparts, 1988), A Prova (L'Épreuve, 2003)
Jean Graton & Philippe Graton
192 pp, brochado
ISBN 989-559-138-1

#16
Gaston (selecção de tiras)
Franquin & Jidéhem
208 pp, brochado
ISBN 989-559-133-0

#18
A Arte de José Carlos Fernandes (Antologia 1992-2005)
José Carlos Fernandes (e outros)
208 pp, brochado
ISBN 989-559-143-8

#19
A Arte de Jiro Taniguchi - O Homem que Caminha (Aruto hito, 1990-1)
Jiro Taniguchi
148 pp, brochado
ISBN 989-559-144-6


Posted at 21:00 by enanenes

 

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